Beata Maria Clara atraiu milhares de todo o mundo ao Restelo

Beata Maria Clara atraiu milhares de todo o mundo ao Restelo

 

 

 

 

O álbum dos beatos tem inscrito, mais um nome português: Madre Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Milhares de pessoas estiveram no estádio do Restelo, Lisboa, para participar na cerimónia de beatificação da irmã Maria Clara do Menino Jesus. De todo o mundo vieram fiéis atraídos pela devoção à «Mãe Clara».

Vinham felizes e cheios de entusiasmo para celebrar a beatificação da Irmã Maria Clara – rosto da ternura e da misericórdia de Deus.

 

No coração traziam a gratidão, no rosto a alegria e o sorriso, nas mãos as palmas que ecoaram forte, e por certo chegaram ao infinito, aquando da proclamação da Mãe Clara como Beata.

 

Foi uma verdadeira manifestação de beleza e fé, um hino de louvor e acção de graças, uma sinfonia universal a cantar gratidão e a dizer ao mundo que a Hospitalidade é um Carisma vivo e actuante na Igreja e na sociedade, que procura expressar o rosto da ternura e da misericórdia de Deus, ao jeito da Beata Maria Clara…

 

Depois de lida a carta apostólica pelo Cardeal Angelo Amato – representante de Bento XVI na celebração de beatificação de Madre Clara, no estádio do Restelo (Lisboa) – onde se refere que a nova beata foi “grande apóstola da ternura e da misericórdia de Deus” e tinha “profunda humildade”, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos concedeu o título de beata à venerável serva de Deus, Maria Clara do Menino Jesus.

 

A festa litúrgica da beata Madre Clara será “celebrada nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo Direito, todos os anos, no dia 1 de dezembro – leu o cardeal Angelo Amato.

 

Antes do início da missa - presidida por D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa - a miraculada Georgina Troncoso Monteagudo deu o seu testemunho sobre o milagre que obteve por intercessão da Madre Maria Clara, fenómeno que conduziu à beatificação da religiosa.

 

Após o acto penitencial (cântico do “Kyrie, eleison”) e lida uma síntese biográfica da beata pela vice-postuladora da causa, irmã Maria Lucília Carvalho, decorreu o rito de beatificação de Madre Maria Clara que a coloca nos altares.

 

Na homilia da celebração de beatificação de Madre Clara, D. José Policarpo destacou a “ousadia missionária” e a “firmeza” mostrada perante “todas as dificuldades" da nova beata portuguesa.

 

Subordinada ao tema «A Santidade é a identidade do cristão», o Cardeal-Patriarca de Lisboa referiu que a fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC) foi de uma “ousadia notável” e “não copiou nenhuma já existente", pois "queria responder ao momento que então se vivia”.

 

D. José Policarpo lembrou a ousadia e a firmeza da Irmã perante as dificuldades: "Libânia do Carmo, que tomou em religião o nome de Clara do Menino Jesus, nasceu num tempo singular e sentiu os desafios de ser cristã e de ser Igreja, numa sociedade cultural e politicamente a afastar-se do ideal cristão. As crises sociais e as epidemias da peste indicaram-lhe os pobres como destinatários do seu amor. Mas não esqueçamos a sua ousadia missionária e a sua firmeza, mostrada perante todas as dificuldades com que se foi deparando. E as que encontrou no seio da sua própria família religiosa não foram, certamente, as mais fáceis. Mas não desistir é apanágio dos santos".

 

A beata Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque nasceu na Amadora, distrito de Lisboa, a 15 de junho de 1843, e recebeu o hábito de Capuchinha em 1869, escolhendo o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus. Morreu em Lisboa em 1899, no dia 1 de Dezembro.

 

Foi uma das primeiras a enviar outras mulheres para as missões e fundou aquela que é hoje a maior congregação feminina portuguesa: as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC).

 

Eucaristia de acção de graças

 

 

 

O exemplo de santidade da nova beata da Igreja, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus, foi evocado pelo Núncio Apostólico em Portugal.

Numa missa de acção de graças por esta beatificação, D. Rino Passigato sublinhou na Sé de Lisboa a atenção que aquela religiosa dedicou aos mais desfavorecidos. "Uma beata que encontrou o seu lugar na Igreja, fazendo da sua existência terrena uma vida apaixonada de amor pelos mais pobres e necessitados", lembrou.

 

“Esquecendo-se de si própria”, a “santa da caridade”, que se “agigantou” na “sociedade portuguesa do séc. XIX, converteu-se “no rosto visível da ternura e da misericórdia divinas”, destacou o arcebispo italiano.

 

A cofundadora das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (Confhic) estimula cada fiel “a ultrapassar-se no jogo do amor e da ternura, neste mundo cada vez mais fechado sobre si mesmo, dominado pelo ódio, pela violência, pela opressão e exploração dos mais fracos”, disse o prelado.

“Ela convida-nos a edificar a nossa casa comum sobre os alicerces dos autênticos valores humanos e cristãos, devolvendo a primazia a Deus, fonte de toda a dignidade humana e da verdadeira fraternidade entre as pessoas, os povos e as nações”, acrescentou.

 

Referindo-se à beatificação, rito que propõe uma pessoa como modelo de vida e intercessor junto de Deus, autorizando o seu culto entre os católicos, Rino Passigato realçou que Maria Clara do Menino Jesus apresenta-se à veneração dos fiéis “como membro exemplar da Igreja e testemunha luminosa do ideal cristão”.

 

O representante da diplomacia do Vaticano, em Lisboa, disse ainda que o testemunho da fundadora das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição deve ser um “estímulo para os cristãos, um exemplo que "tem de ser para nós, hoje, interpelação e provocação".

Quarta, 13 de Abril de 2011