Em comunhão com a Igreja - exigência do Carisma Franciscano Hospitaleiro

Em comunhão com a Igreja - exigência do Carisma Franciscano Hospitaleiro


Onde quer que estejamos, a nossa vocação só pode ser vivida em fidelidade e obediência à Igreja e ao serviço dela, com cortesia e respeito e, sobretudo, com o testemunho pessoal credível de um espírito de comunhão inquebrantável.

Diz S. Francisco, na sua Carta a Todos os Fiéis, que “Devemos reverenciar os sacerdotes, não tanto por si, se são pecadores, mas pelo ofício que têm de administrar o Santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”. E eu prolongo a reflexão: se assim devemos reverenciar os sacerdotes, que sentimentos não nutrir pelo nosso querido Papa?
Com verdadeiros sentimentos filiais, Santa Clara, a humilde plantazinha de S. Francisco, promete obediência e reve­rência ao Senhor Papa Inocêncio e aos seus sucessores, canonicamente eleitos, e à Igreja Romana. Ela mesma exorta as suas seguidoras a serem sempre submissas e sujeitas aos pés da mesma Santa Igreja, firmes na fé.
A nossa querida Fundadora, Mãe Clara, manifestava uma profunda dedicação à Igreja, ao Sumo Pontífice e à Hierarquia, bem como uma disponibilidade absoluta para servir esta mesma Igreja. Dizia “A Santa Igreja foi quem isto disse e quem isto diz; e, se o disse e diz, grandes são os fundamentos em que se funda”. Também a fidelidade e obediência à Igreja, foi vivida e testemunhada pela Mãe Clara de maneira eloquente. Apesar de vítima de incompreensão e injustiça por parte de alguns representantes da Igreja, a boca da Mãe Clara nunca se abriu em críticas, nem o seu coração albergou a revolta. O silêncio e a obediência foram a sua resposta. O amor de Mãe Clara à Igreja leva-a a tudo suportar como “vindo das mãos de Deus, que tudo permite para nosso bem”. O Amor nutre e alimenta, mesmo quando faz sofrer… E isto Mãe Clara sabia-o muito bem e sabia que sem o Amor, que lhe vinha especialmente da Cruz, não poderia crescer até à estatura do seu Mestre e Senhor, por lhe faltar o alimento fundamental (a cruz).
Já para o nosso querido Fundador, Padre Raimundo Beirão, a Igreja é o Guarda-Jóias do Omnipotente, aquela a quem Deus confia os Seus tesouros e banha constantemente com o orvalho celeste da graça. Dizia o Padre Beirão que a Igreja, a Esposa do Cordeiro Imaculado, é fundada na Verdade; é a nossa boa Mãe, nascida do lado aberto de Jesus Crucificado e aí consagrada. Como São Francisco de Assis, o Padre Beirão colocava-se diante da Igreja numa atitude de respeitosa obediência, tendo sempre como bússola o Evangelho de Jesus e as inspirações do Espírito do Senhor. Temos tanto a aprender para caminharmos com o coração colado ao coração da Igreja! Que o nosso Fundador nos ensine o Amor feito urgência de anúncio.
Hoje, o Santo Padre (e todo o Corpo da Igreja) é ferido, mas tem no seu coração o amor de Deus revelado no seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo, que lhe garante uma incontestável envergadura moral, credibilidade e força própria para permanecer em pé, ainda que contra ventos e marés, e continuar a missão de Pedro que confirma os seus irmãos na Fé.
Há uma coisa que muito nos deve encorajar e alegrar – o pertencemos à Igreja, sermos Igreja e, por isso, numa atitude de inteira fidelidade e comunhão com esta mesma Igreja, em Povo de Deus e Corpo de Cristo, façamo-nos participantes da sua caminhada gozosa e dolorosa, nestes nossos tempos e circunstâncias tão adversas ao “Doce Cristo na Terra” e à Igreja de Jesus, onde, em testemunho vivo e atrevido, devemos pôr ao seu serviço o Carisma da Hospitalidade que recebemos dos nossos Fundadores. Onde quer que estejamos, a nossa vocação só pode ser vivida em fidelidade e obediência à Igreja e ao serviço dela, com cortesia e respeito e, sobretudo, com o testemunho pessoal credível de um espírito de comunhão inquebrantável.
Como Família Franciscana e Hospitaleira, a nossa veneração e reverência para com o Santo Padre deve manifestar-se também pela oração diária. Os ataques ao Santo Padre deixam transparecer uma cultura de desconfiança que, para além de Bento XVI, pesam sobre toda a Igreja, da qual todos fazemos parte. Rezemos pelo êxito da visita do Santo Padre ao nosso País, dando testemunho de confiança inabalável no Papa e na Igreja. Rezemos para que a visita do Santo Padre decorra sem qualquer espécie de perturbação e para proveito de todo o povo Português que vive à margem da Igreja ou a contesta acerrimamente, sem dó, esquecendo o quanto a Igreja, como boa Mãe, contribuiu e contribui para o desenvolvimento da sociedade, para a promoção dos valores e da Vida, criando e mantendo estruturas de vanguarda e socorrendo tanta indigência.
Em Comunhão com a Igreja e com o Santo Padre, a caminho!

Ir. Odete Alves
Coordenadora Nacional da Fasfhic



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Sábado, 8 de Maio de 2010