Encontro de Padrinhos

Encontro de Padrinhos

A Beleza de Caminhar na Esperança

No dia 01 de fevereiro realizou-se, na Casa de Saúde da Boavista, no Porto, o II Encontro de Padrinhos no âmbito do Projeto de Apadrinhamento de Crianças dinamizado pela FASFHIC.

Por entre a chuva que foi caindo ao longo do dia, alguns raios de sol brilharam e tornaram mais calorosa a chegada dos padrinhos ao início da tarde. Cada um trazia já consigo um coração quente e um sorriso, e, entre todos, uma saudação amiga e um abraço. No geral, pairava também alguma expectativa em relação ao caminho que nos esperava.

A Coordenadora Nacional da Fasfhic, a Irmã Paula André, deu início ao encontro com umas singelas e afáveis palavras de boas vindas manifestando a alegria pela presença de cada um.

De seguida, a Esmeralda Pinto apontou o caminho com um convite à paragem. Aparentemente paradoxal, caminhar é, por vezes, parar no meio dos muitos afazeres e correrias da vida e olhar para o Outro porque o Outro é meu irmão. Parar para silenciar, refletir e tomar ainda mais consciência de que podemos fazer da vida um dom de amor que ultrapassa todas as fronteiras, todas as distâncias e opera o grande milagre da comunhão fraterna. Os corações quentes e o olhar expectante dos padrinhos logo deram lugar aos espíritos solidários inspirados pela mensagem que «Ninguém pode revelar-se aos seus próprios olhos senão se revelar diante de um outro; afinal, o “outro” é meu irmão.»

Neste caminhar contamos, seguidamente, com a presença do Sr José Esteves que partilhou o seu lindo testemunho de vida em prol dos mais necessitados. Um testemunho feito de vida e de entrega que a todos sensibilizou. Sem dúvida que a melhor das inspirações advém da mensagem de que “ Quando se serve a Deus, ajudar o próximo não é um fardo, é uma honra…”. A esperança era, agora, o que nos unia a todos, e a força do testemunho levou todos os padrinhos e presentes a quererem caminhar ao encontro do outro, em especial, das crianças e jovens necessitados desta nossa solidariedade.

Assim, e por forma a dar a conhecer as várias realidades prestes a cruzar o nosso caminho, os padrinhos tiveram a oportunidade de se dividirem por vários workshops preparados e subordinados aos vários países, para que pudessem mergulhar um pouco mais no cenário da missão onde se encontram os seus afilhados.

Este caminhar é para ir ao encontro dos mais pequeninos e, deste modo, os nossos mais pequeninos também tiveram o seu tempo e o seu espaço, onde puderam visualizar o filme “Chamava-se Libânia” e, com a Irmã Maria do Céu, a explorarem um pouco da vida e da obra da Mãe Clara, a fundadora da CONFHIC. Para além disso, dedicaram-se a pequenos momentos dinâmicos que passaram pelo desenho, pela construção de mealheiros, bem como de uma lembrança deste encontro que contou com o enorme contributo da Anabela Duarte, a quem o nosso “muito obrigado” parece ser insuficiente.

Enquanto isso, os restantes presentes tiveram a oportunidade de, em plenário, colocar questões ou dúvidas ou apresentar sugestões à Irmã Paula André e ao Sr José Esteves, momento que possibilitou a todos a troca de experiências e a reflexão conjunta sobre as condicionantes que fazem das realidades dos países de nascimento das crianças e jovens um contexto, tantas vezes, difícil, limitador e indigno. Estas são realidades que a Irmã Paula André conhece e reconhece graças ao tempo passado no terreno e a toda uma obra de dedicação e amor, que conta com mais este excelente projeto de apadrinhamento, por parte da FASFHIC. De facto, palavras não conseguem descrever, com toda a justiça e transparência, a beleza e emoção de testemunhos, como o das Irmãs presentes no encontro, bem como de todos os que contribuíram para proporcionar esta mão cheia de esperança.

Houve ainda tempo para mais um momento antes de todos se juntarem num lanche-convívio que assinalou o fim deste dia do Encontro, e tal coube aos nossos meninos que partilharam todas as suas experiências. Com eles, todos os padrinhos puderam presenciar e compreender a essência do projeto “Criança ajuda Criança”, ou seja, o simbolismo guardado em todos os gestos de poupar nos mealheiros, ou como nos contou a Matilde, de aproveitar todas as oportunidades para também eles, crianças, ajudarem os pais nesta missão de apadrinhamento. Ajudar é uma missão de todos, crianças e adultos.

Por fim, são os padrinhos que, no seu íntimo, estavam imensamente gratos pelo cuidado e atenção na preparação de todo o encontro, mas foram precisamente eles os acarinhados com uma lembrança, de esperança e de amor, que deixa gravado este dia na memória, e, acima de tudo, ensina-nos que é a sandália que calçamos sempre que nos pomos, todos unidos, a caminho das crianças e dos jovens, que mais precisam e tão pouco têm. Esta foi a mensagem deixada pela Esmeralda Pinto, a propósito daquilo que nos calça e que nos faz caminhar na esperança, que revela o mais puro e íntimo de nós sempre que tocamos o outro e somos tocados pelo agradecimento no seu sorriso.

A esperança é o nosso motor humano de querer, objetivamente, superar a imperfeição humana e de crer que a esperança concreta não se esgota numa realização particular, mas estimula constantemente a ação do homem que constrói o futuro. A esperança é, portanto, o princípio cristão fundamental de que nos revestimos quando nos encontramos no limiar da insatisfação perante quem precisa do mais digno para viver e para poder traçar um caminho-próprio melhor. Pelo caminho deparamo-nos com a necessidade, no caminho cabe-nos a nós fazer a caridade, e através da esperança ousamos acreditar que este caminhar é transformar.

Maria Inês Gomes

 

 

Quinta, 5 de Fevereiro de 2015